crianças da guerra - as fileiras de estaline

Em qualquer conflito armado somos surpreendidos por fotografias de crianças a empunhar armas. Essa visão provoca a nossa indignação perante a exploração a que são sujeitas pelos senhores da guerra. E, no entanto, isto sempre sucedeu independentemente do local, da época ou da cultura em particular, em qualquer conflito do presente ou do passado. Há apenas algumas décadas atrás, durante a Segunda Guerra Mundial, foi comum ver crianças entre as fileiras do exército russo que se defendia com todos os seus recursos dos invasores nazis.
Eram tempos diferentes e vivia-se ainda sob o jugo do ditador Estaline. Muitas crianças tentaram fugir das suas casas para ir combater na Grande Guerra Patriótica, como lhe chamou a propaganda do regime. Não obstante, algumas foram capturadas pela polícia militar e devolvidas às suas famílias mas outras acabaram por se conseguir juntar às tropas e lutar. Eram muito novas, algumas com 9 anos apenas, e combateram na frente. As que sobreviveram deixaram o exército após o fim da guerra com 14 ou 16 anos, muitas vezes recompensadas com medalhas de honra.
Os fotógrafos da guerra e da propaganda registaram as imagens destas crianças da guerra, meninos sem infância desprovidos do seu bem mais precioso: a inocência.








fonte: englishrussia
artigos relacionados
21 comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

Se pensarmos bem acerca do que é uma guerra, podemos concluir que se trata de um "crime", ou melhor, de um "conjunto de crimes".
A única diferença destes crimes para os outros, é que estes são julgados, enquanto aqueles são legitimados. Mas quando é chegado o fim da guerra, por norma, a parte vencida também é julgada por, dizem eles, "crimes de guerra". Portanto, no fundo, eles sabem bem que a guerra é um grande crime. Outro motivo pelo qual julgar a parte vencida é cinismo puro.
Mas não é apenas crime matar alguém. Existem esses outros crimes paralelos. Este é um deles, provavelmente um dos mais graves.
A guerra é isso mesmo.
Mário Martins em 19 de outubro de 2009

O fascínio e a indignação são difíceis de distinguir quando olhamos para estas fotos...mas uma coisa é certa demonstraram uma coragem e responsabilidade raras de encontrar nas crianças de hoje.
Ana Pena em 19 de outubro de 2009

A Ana só pode estar brincando.
Carlos Zander em 20 de outubro de 2009

A entorpecência da ideologia militar é de uma vilania estarrecedora: faz homens e meninos a achar a guerra uma grande aventura. Cegos para o flagelo, miram apenas uma idealizada glória.
Este post foi extraordinário.
Parabéns Bjr. Ave Obvius!!
Eduardo Barros em 20 de outubro de 2009

Eu concordo, em parte, com a Ana.
Basta olhar para as fotos e ver as caras de admiração dos miudos que olham para os "amigos" soldados e o júbilo/orgulho/felicidade na cara destes.
É claro que não estamos a falar no sofrimento e horrores por onde devem ter passado e os traumas que na guerra ganharam isto se dela saíram com vida com qualidade suficiente para a ela chamarmos vida.
Crianças com coragem e desejosos de se entregarem a causas faltam o que lhes falta são desafios.
Francisco O Dias em 20 de outubro de 2009

Muito impressionantes as fotos do post.
Mario Dourado em 20 de outubro de 2009

Russia não foi a única.
Mario Sergio em 20 de outubro de 2009

Estaline não teve o exclusivo. Acaso se lembram das crianças que combateram pela Alemanha na mesma guerra? E dos jovens que no Próximo Oriente actualmente embarcam na aventura insensata e falaciosa da "Guerra Santa"? E daqueles que, estou certa, ainda hão-de nascer para consumar a sua breve existência com uma arma na mão?
Em qualquer guerra as crianças são sempre as grandes vítimas. Se morrem, morrem; se apenas sofrem, levam consigo as feridas para toda a vida.
Rute em 20 de outubro de 2009

Para os que "defendem" a "coragem e responsabilidade raras de encontrar nas crianças de hoje" vão ao psiquiatra e/ou psicólogo.
Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas adoptaram por unanimidade
a Convenção sobre os Direitos da Criança.
Para quem quiser: http://www.unicef.pt/artigo.php?mid=18101111&m=2
Zé Manel em 21 de outubro de 2009

Falou tudo, Zé. Esse pessoal parece que não sei!!!
Carlos Zander em 22 de outubro de 2009

Um único crime em todas estas lindas fotos: - guerra.
Cada foto prova como na infância tudo é erótico, tudo vivido em plena intensidade, tudo é sonho, tudo que parece impossível é encarado com a maior naturalidade e com a maior naturalidade se mostra possível.
O crime de guerra, longe de ter muitos culpados, tem apenas um: - o orgulho em vez do amor-de-si a fazer prevalecer prepotência sobre o argumento, desentendimento sobre a razão, covardia do forte sobre a coragem do fraco, animal sobre o humano, direitos sobre vida.
João Tavares em 23 de outubro de 2009

A ana esta brincando com certeza.
Lu.moraes em 9 de novembro de 2009

é grave, crime e pecado pór as crianças numa guerra armada. Portanto os senhores da guerra devem ser julgados e punidos a lei
Augusto Monteiro em 10 de novembro de 2009

Claro que temos de concordar EM PARTE com a Ana. Moralmente errado mas extremamente eficazes, são os exércitos de crianças. Aliás, numa guerra tudo o que moralmente for pior é sempre melhor. O exército russo sempre foi o mais patriota e não olhava a meios para atingir os fins. Deixavam cães passar fome, e habituavam-nos a irem comer debaixo de tanques de guerra, assim, em pleno campo de batalha, quando avistassem um tanque inimigo bastava amarrarem uma bomba ao cão esfaimado e largá-lo, porque o animal graças ao treino sabia que debaixo dele iria alimentar-se, e quando ele lá estava detonavam a bomba. Claro que isto é grotesco, mas temos de ver sempre dos 2 pontos de vista e perceber porque é que aconteceram. É apenas o homem a tentar sobreviver com o que tem. Esta característica russa em "desenrascar-se", pode ser facilmente vista como brilhantismo, quando vemos que numa experiencia para provocar chuva, os americanos disparavam nitrato de PRATA para os céus para criar nuvens, enquanto que os russos iam aos urinóis das casernas retirar ureia, a qual usavam para o mesmo efeito. Ou até o classico exemplo de que os americanos gastaram centenas de dolares a desenvolver uma caneta que escrevesse em ambiente de gravidade zero, para ser usada em missoes espaciais, enquanto que os russos usavam o lápis... como já disse, consigo ver este artigo dos dois pontos de vista, do grotesco imoral e do fascinante pelo que o ser humano faz para sobreviver nao olhando a meios. E acho que devíamos todos discordar da primeira parte e concordar com a segunda. E não estou a brincar.
Joao em 10 de novembro de 2009

Isso é loucura! Procura-se justificar o injustificável. É imoral, é ilegal e abominável utilizar-se da ingenuidade daqueles que não têm idéia do que estão se metendo. Quem deveria estar lá na frente de batalha, os interessados no embate, ficam protegidos covardemente atrás de altas patentes. Pedófilos! Os menores membros de nossa sociedade devem ser protegidos de todas as perversões dos adultos, que parecem estar aflorando abundantemente nos comentários deste post.
Carlos Zander em 11 de novembro de 2009

Os assassinos do Marxismo promoveram-se e usaram as crianças para isso como se faz bem feito no mundo inteiro.
Nada mais prazeroso para uma criança do que ver um velho a dar-lhe autoridade em vez d'uma repreensão, ou observações que a desconsiderem totalmente.
Na época a novidade conquistou mundos assim como o nazismo ainda hoje se vê na maioria dos detentores de poder nas empresas, na política, na igreja, e em todos os lugares que o dinheiro abunde.
João Tavares em 13 de novembro de 2009

Impossível julgar-se hoje o que há um ano foi julgado ser crime. a complexidade dos fatos a terem concorrido para o fato pontual julgado crime, já há um ano dificilmente poderia ser levada em conta na sua totalidade. E na sua totalidade o réu nada mais terá sido que o fruto do meio.
Vá lá considerar-se culpado o meio, ou, a autoridade dum meio que como no Brasil sustente a ordem jurídica apenas numa cultura, sem consideração mínima pela cultura negra que nunca teve clareza sobre direitos adquiridos segundo La Salle, e, muito menos pela cultura indígena.
João Tavares em 13 de novembro de 2009

Há 100 anos, nenhum de nós tem a menor idèia de quão rudimentares eram os meios ao alcance das pessoas. As crianças eram muito mais corajosas sim. Trabalhavam como adultos sim. Ninguém deixou de ser feliz por isso. A expressão dos rostos é evidente.
Elas são capazes de fazer tudo com mais convicção que adultos.
Triste é cem anos depois, hoje, a guerra ainda ser ensinada, estimulada, praticada por grandes capitais para baratear preços de mercadorias escaças.
Marx foi definitivamente o último filósofo da humanidade, dando os merecidos créditos a todos que de alguma forma contribuiram para o seu legado.
Quem se promoveu às custas dele receberá o atestado de burrice que o tempo lhes reserva.
João Tavares em 13 de novembro de 2009

Os comentários a este post são contemporâneos, refletindo opiniões atuais. Ser conduzido a defender interesses de outros e arcar com as consequências do ato até mesmo com a vida, sem ter sequer a capacidade de compreender a dimensão do acontecimento não pode ser descrito como coragem ou bravura. Certamente a humanidade vem se organizando com o tempo, de modo a não permitir mais um mundo colonialista.
No passado o colonizador falido e desmoralizado buscava tomar posse daquilo que já tinha donos, munidos de uma permissão falaciosa, o que hoje pode ser classificado como saque e roubo. Para colocar em prática seus planos de enriquecimento, o colonizador sequestrava seres humanos na calada da noite, empilhava-os em condições sub-humanas nas embarcações para viagens ao final das quais poucos sequer sobreviviam. Sequestrados, esses, usados para construir tesouros desfrutados até os dias atuais, enquanto que os colonizadores faziam nada, nas varandas de suas casas-grandes.
O Brasil tem inúmeras fortalezas construídas com pedras que inexistem por aqui. Pedras originárias de Portugal, que lotavam porões de navios como lastro, para que eles pudessem a Europa regressar abarrotados de ouro, prata e pedras preciosas extraídos às custas do sangue dos índios, verdadeiros donos de tudo, bem como dos negros, também usados como lastro, sequestrados de suas pátrias e obrigados a produzir incessantemente, sob pena de serem chicoteados em troncos até a morte.
Felizmente esses dias se foram. E, atualmente, conveniente pode-se alegar que são tempos passados, onde tudo era justificável, bem como transferir aos herdeiros a responsabilidade pelos crimes cometidos.
Carlos Zander em 13 de novembro de 2009

Carlos Zander tem a noção do tempo presente igual ao tempo passado. Os que no passado cometeram crimes transferidos a herdeiros nada mais teriam sido que uns Carlos Zander d'então. A complexidade do que nesta vida consideramos realidade, a ninguém permite julgar.
Por isso resta-nos amar, ter atitude amorosa e construir o Amor sempre e a cada instante. Gente normal dificilmente enxerga além do facto pontual e quando enxerga fá-lo mal. Envolve-se emocionalmente, sem conhecimento e sem ética. O pior está no menosprezo pelo auto conhecimento e pelo Amor.
João José Martins Tavares em 13 de novembro de 2009

admiro a sua participação e intelecto João José Martins Tavares, indentifico-me absolutamente com a sua opinião e não a conseguiria exprimi-la tão bem como voce
João em 15 de novembro de 2009