O que faz este homem empurrando este enorme rodado pelas ruas? Chama-se Fabio Viale, é italiano, escultor, e na verdade aquilo que o vemos a empurrar não é um pneu de camião - antes fosse, pois seria bem mais leve! Trata-se de um dos seus trabalhos, denominado Opera Rotas, e tem como característica principal ser constituído inteiramente por mármore. Esta matéria-prima é, de resto, a única que o artista utiliza e com grande mestria técnica, diga-se, pois consegue servir-se dela para recriar objectos que são específicos de outros materiais, como é o caso de um pneu de borracha.
Fabio Viale pode considerar-se um dos herdeiros nos tempos modernos da tradição escultural italiana. Tal como ele, os grandes mestres do Renascimento e do Barroco, de Michellangelo a Bernini, elegeram o mármore como material de trabalho único e exclusivo e dele conseguiram tirar tudo o que queriam, fazendo-o parecer metal polido, cabelo ou ramos de árvores. E, nesta simulação de outros materiais, Viale é mestre, não tenhamos dúvidas, bem como na arte da ironia.
A ligação aos antigos mestres torna-se clara quando recria as suas obras ou parte delas: a Pietá do Vaticano ou bocados de membros de David, de Michellangelo, ou ainda a espantosa versão de Mona Lisa esculpida em bolas esferovite mas em mármore, é claro.
Bernini levou o trabalho do mármore além daquilo que parecia possível na sua época e deu-lhe formas que até então só eram conseguidas com metais e processos de fundição. Mais de 300 anos depois, com as modernas tecnologias, até onde vão os limites de um material e a sua capacidade de ilusão e utilização? A resposta a estas perguntas, que parecem ser o fulcro da actividade artística de Fabio Viale, está numa das suas obras mais emblemáticas, o Ahgalla I, um barco integralmente feito em mármore que, parafraseando outro italiano, "no entanto move-se".
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Espectacular! Como é que ele consegui fazer o papel higiénico? É mesmo em mármore???
Rui em 28 de outubro de 2009
Não dá para acreditar que aquele barco flutua...
Alice Castro em 28 de outubro de 2009
Adorei a Mona Lisa... demais
Mara Cruz em 28 de outubro de 2009
shoooowww! o kara é loko memo
José em 28 de outubro de 2009
É interessante observar que a obra nos remete ao já conhecido, mas de uma maneira "intrometida", como se fosse casual e novo ao mesmo tempo. Isto porque se apropria do objeto comum e dá nova vida ao material (suporte). O uso de simbologia e metalinguagem instiga questõs da arte clássica, moderna e contemporânea.
Como uma deliciosa receita conhecida que passa a ter um novo sabor quando seus ingredientes são testados em uma nova redução, seu resultado nos leva a outros sentidos. Em ambos os casos, na receita e na obra, urge uma nova conexão com a memória passada e presente. Um olhar de desconforto pelos "novos ingrediantes' dá lugar a uma sensação de reconhecimento que nos faz perder o medo e "entrar" nesta linguagem transformada. Então, a escultura, com estas referencias absorvidas, nos comunica e afirma a função semântica dos códigos de comunicação visual e sensitivos que o artista ou o "chef" criaram de novo. O prato, ou a obra, se adequam perfeitamente ao contexto do mundo Contemporâneo e é "degustado" por ele.
A Arte hoje é o movimento desafiador do "fazer o novo", do "experimento", da "inovação'!
Layla Fiusa em 29 de outubro de 2009
Extraordinário! nunca tinha visto tal coisa... era bom que em Portugal houvessem artistas arrojados como este.
Luis Gomes em 29 de outubro de 2009
Olá amigos,
Trabalho espetacular sim, e o comentário da Layla foi bem apropriado, definiu bem o sentimento gerado.
O barco não me impressionou muito, afinal navios pesam muito mais e flutuam, mas surpreende por ter, ao final, um uso prático e ter sido muito bem construído, talvez um engenho escultural. Desculpem :)
Mas, a Monalisa - aparentando "i-so-por" - e o papel higiênico - com desenhos na trama !!!!! - no mínimo, alucinantes !!!
Por isto não me canso de divulgar o Obvious, uma real caixa de surpresas.
Parabéns.
Um grande abraço.
Peter
Peter Zimmermann em 29 de outubro de 2009
A Mona Lisa é a melhor, metalinguagem pura.
Coisa de mestre.
mila goudet em 29 de outubro de 2009
Muito bom.
Achei bastante pertinente o questionamento do artista sobre até onde vai a ultilização dos materiais?
ótimo.
Geo
GeaZe SouZa em 29 de outubro de 2009
Incrível! Deve empenhar muito tempo todo estre belo trabalho! Só que ele deve ser multado por andar na contra-mão com o Pneu na primeira foto! rsrsr
Wallace - Brasil em 30 de outubro de 2009
italianos tem veia artistica por natureza. bjs
Ju em 1 de novembro de 2009
Não consegui entender com ele faz isso. É uma técnica sensacional
Wally Silva em 1 de novembro de 2009
Tb gostei mt da mona lisa
Sandra em 2 de novembro de 2009
um trabalho super.
Magnani.
reinaldo silva em 19 de novembro de 2009
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