
Durante anos as Leica dominaram o mercado das câmaras fotográficas profissionais de filmes de 35 mm com os seus modelos de visor. Até então as câmaras SLR (acrónimo para Single Lens Reflex, que significa que a mirada é feita através da objectiva) não eram muito populares devido certas limitações técnicas, como a lentidão do reposicionamento manual do espelho após cada disparo. Esta característica, entre outras, fez com que as SLR fossem desprezadas pelos fotojornalistas e por outros profissionais da fotografia para quem o momento do disparo era determinante. Mas este panorama iria mudar a partir de 1959 com o lançamento da fabulosa Nikon F.
Desde o fim da 1ª Guerra Mundial que os japoneses se encontravam no mercado dos fabricantes de material fotográfico com marcas como a Olympus e a Asahi Pentax (1919), a Minolta (1928) ou a Canon (1933). Porém, a empresa pioneira tinha sido a Nippon Kogaku, fundada em 1917 e que veio a ficar conhecida pela sigla "Nikon". A experiência aliou-se à excelência da tecnologia nipónica para criar um modelo SLR capaz de ultrapassar as tradicionais limitações deste sistema e fazer frente às clássicas câmaras de visor. É preciso lembrar que, apesar da sua qualidade e fiabilidade, as câmaras de visor tinham dois grandes inconvenientes: a dificuldade em usar lentes intermutáveis e o facto da mirada não corresponder exactamente ao que é captado pela objectiva.

Quando a Nikon F surgiu no mercado não era apenas mais uma SLR. Possuía um mecanismo automático de retracção do espelho articulado com o movimento do obturador que eliminava a principal limitação deste sistema e que acabou por ser adoptado por todos os fabricantes de câmaras fotográficas. Mas as inovações não se ficavam por aqui. Os mecanismos de avanço do filme, de rebobinagem, de regulação da velocidade do disparo tinham sido muito aperfeiçoados e havia a possibilidade de se mudarem uma série de componentes do aparelho, como a cabeça com o prisma, o fundo, adaptando um motor para avanço do filme, e, obviamente, a objectiva.
A enorme funcionalidade e versatilidade deste aparelho, acompanhada de uma qualidade mecânica e óptica irrepreensível, fez com que se impusesse no mercado da fotografia profissional de filmes de 35 mm. Durante a guerra do Vietname muitos fotojornalistas fizeram dela o seu instrumento de trabalho e com ela deram ao mundo algumas das melhores imagens deste terrível confronto. Larry Burrows foi um dos muitos a empunhar uma destas "câmaras indestrutíveis".


Com a Nikon F a indústria japonesa mostrou a sua maturidade e passou para a frente numa área tradicionalmente dominada pelos fabricantes alemães, lugar que não deixou de ocupar desde então. Desde a data do seu lançamento até aos dias de hoje o modelo passou por várias evoluções e aperfeiçoamentos que culminaram na F5, o estádio final supremo de um conceito. Para trás ficou um caso de sucesso. Depois entrou em cena a tecnologia digital, mas isso já é outra história...

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